No passado dia 17 de julho, o Clube de Teatro da ESSJE apresentou a peça Muros, uma criação coletiva, concebida a partir da improvisação oral e posteriormente vertida em palavra escrita, que a encenação abraçou e a sonoplastia ajudou a moldar. O processo de ensaio foi, ele próprio, um exercício de responsabilidade e de resiliência. Com apenas um encontro semanal, à segunda-feira, entre as 16h30 e as 18h30 – interrompido por pausas escolares e frequentemente condicionado por compromissos pessoais e letivos dos participantes — desafiou-se a escassez de tempo, exigindo ensaios intensivos na última semana. Encenava-se um texto que abordava a ausência de tempo, quando essa carência se tornava vivência. A peça trouxe à cena histórias entrelaçadas da experiência humana: «muros» que o tempo foi erguendo nas relações familiares, na tensão entre pais e filhos, no cuidado dos mais velhos, nas amizades, nas relações amorosas abusivas, na doença mental. Ao longo do espetáculo, foram surgindo os «muros» da existência que, tantas vezes, erguemos entre nós — por medo, por mágoa, por incompreensão, pelo silêncio, pelo tempo que nunca chega — mas que podem, ou devem, ser transpostos com empatia, diálogo e amor. Muros atingiu a sua força expressiva graças ao trabalho dos intérpretes e à atenção precisa do encenador, cruciais para a construção da tensão dramática e da emoção em palco. Foi mais do que uma peça de teatro: foi uma declaração de fé na escola enquanto espaço de experimentação e de transformação. O entusiasmo, o esforço e a entrega dos intervenientes revelaram o compromisso da escola com a criação artística como via essencial para a formação humanística e para o desenvolvimento pessoal.
No público, o silêncio atento, a reflexão, a emoção partilhada.
Chegar ao fim de Muros foi mais do que concluir uma encenação. Nesse sentido, talvez a peça tenha cumprido o seu propósito maior: lembrar-nos de que, por detrás dos «muros» do tempo, do cansaço e do peso dos dias, ainda há espaço para o encontro humano — e para a arte que o traduz.
Interpretação: Daniel Pinto, Duarte Soares, Regina Brasil, Rita Chaves, Yasmin Fonseca.
Encenação:Carlos Vieira.
Luz e Sonoplastia:Bruno Barbacena.

